Praticando a Maior Arte

Praticando a Maior Arte: Utilizar-se

“Músicos habilidosos são resultado de uma série de bons hábitos”. Rafael Mendez

Todo músico deve buscar com afinco a postura adequada para a operação seu instrumento. Antes de buscar técnica na execução do trompete, devemos buscar a ARTE DE USAR A NÓS MESMOS.

Para usar a nós mesmos, para viver, nós temos que nos mover. O movimento é uma das maneiras com as quais usamos a nós mesmos como instrumentos, em toda e qualquer atividade que realizamos. Por exemplo: lendo esse artigo, suas mãos têm virado as páginas, e seus olhos têm se movimentado para que seja possível que você as leia. Movimento é vida. Uma pessoa desenvolvendo a habilidade de tocar o trompete está, na verdade, aprendendo a usar não somente um, mas dois instrumentos. É claro que ela tem que aprender a estrutura do trompete, como ele funciona, quão pesado ele é, como segurá-lo, como tirar sons dele – mas é sua mão que o segurará, seu corpo que terá que apoiar o peso do instrumento, seus dedos é que terão de se mover para execução no instrumento. E a maneira com a qual a pessoa usa a si própria determinará, até que consideravelmente, a maneira com a qual ela toca o instrumento.

No nosso cotidiano, os movimentos expressam bem o nosso estado geral. Quando estamos alegres e as coisas vão indo bem, nos sentimos mais leves e mais livres do que quando estamos deprimidos. Se um amigo vem nos dar uma boa notícia, antes de ele sequer dizer uma só palavra, através de seus passos, nós sabemos que a notícia é boa. Enquanto que, se a notícia for má, ele parecerá fisicamente mais pesado e ‘para baixo’. Antes mesmo de emitirmos som, nosso corpo falará por nós exibindo medos, ansiedades, insegurança ou sensação de leveza, facilidade e liberdade de movimento. O músico se dará conta da importância da facilidade e liberdade de seus movimentos e, se conseguir atingir isso na sua vida cotidiana, ele será capaz, com o tempo, de obter essas qualidades durante a execução musical.

Embora seja um assunto de simples compreensão, postura é a regra que é mais comumente quebrada pelos trompetistas.

 

10 Regras Áureas da Postura de um Bom Trompetista

1. Estando em pé, fique numa posição bem balanceada. Distribua o apoio nas duas pernas e pés. O ideal é que os pés estejam distantes de modo que fiquem alinhados com os ombros.

2. Muita pressão com as mãos limita a energia e flexibilidade e machuca os lábios. Diminua a pressão!

3. Quando tocando sentado, não escore displicentemente no encosto da cadeira. Mantenha as costas eretas.

4. Não arquie para frente – isso impede o fluxo de ar. A postura para tocar lendo uma partitura na estante deve ser similar àquela quando tocando algo que foi memorizado.

5. Se estiver sentado, toque como se estivesse pronto para levantar, se estiver em pé, como se estivesse pronto para correr.

6. Assuma uma posição e postura de comando. Qualquer audiência detecta e reage a esse ponto.

7. Mantenha os braços confortáveis numa posição natural.

8. Coloque o polegar da mão direita na primeira válvula, sob o leadpipe.

9. A mão esquerda sustenta o trompete.

10. Bata nos pistões com a ‘bola’ dos dedos.

A questão de bater o pé

Há muitos professores que advogam tocar batendo o pé para marcar o andamento – Carmine Caruso, para citar um. Não digo que pode ou que não pode, mas devemos atentar na maneira que fazemos isso, certo? Tem aqueles que têm uma maneira estranha de bater o pé: fazem os tempos 2 e 4 (em um 4/4) batendo o calcanhar. Alguns dos meus aluninhos – crianças que também tocam em bandinhas da escola, batem os pés alternando: direito, esquerdo, direito, esquerdo, como se estivessem marchando, mesmo sentados. E o som em uma semibreve quer ir junto: TAa-Aa-Aa-Aa. Outro dia fui assistir uma banda de estudantes e lá pelas tantas havia uma pausa e 4 tempos para todos os instrumentos. Uns dois ou três desavisados fizeram o solo: Clap, clap, clap, clap.
Em passagens difíceis, mudanças de ritmo, escalas ou grupos grandes de notas de valores iguais, bater o pé é um artifício que ajuda (embora muitos discordem veementemente). Ouvi algo interessante de trompetistas preocupados com a lateralidade do cérebro: Caso seja destro, bata o pé esquerdo e vice-versa – isso poderia ajudar nos estímulos do lado criativo do cérebro do trompetista. Usemos o discernimento e bom gosto também nesse ponto.

IMPORTANTE: Tocar trompete é tanto uma prática física altamente refinada como uma arte musical. Pratique fisicamente como um atleta, mas toque com emoção como um artista.

Um Aviso

Lembre-se que hábitos são formados muito cedo. Desde a primeira vez que você pegou o trompete, hábitos começaram a se instalar. Estes serão bons hábitos ou maus hábitos – tudo depende de você. Um músico habilidoso é resultado de uma série de bons hábitos, enquanto uma maneira medíocre de tocar provém de maus hábitos. Infelizmente temos que concordar que maus hábitos são mais fáceis de serem interiorizados e estão à espreita de cada estudante desavisado.

Maus hábitos demoram semanas, meses, anos para ir embora. Cuidado!

Abdalan da Gama

10 respostas para Praticando a Maior Arte

  1. Carlos Bruno disse:

    Definitivamente, Profº Abdalan é alguem que cresce fazendo os outros crescerem. Deus o abençoe muitíssimo. Amém!!!

  2. Jean Carlos disse:

    Obrigado Grande Professor, imagina se tivéssemos este mundo de informações que vc oferece em seu site quando iniciei meus primeiros estudos em uma Banda de música no interior de Santa Catarina no qual um professor com muita força de vontade ensinava todas as crianças em todos os instrumentos da Banda (das Madeiras aos metais), com certeza eu não teria que passar hoje a maior parte do tempo arrumando o que comecei errado, o Brasil precisa de bons professores em todos os cantos do país, e acredito que sua divulgação de materiais está fazendo a sua parte com muito sucesso! Um Forte Abraço Jean Carlos

    • Jean Carlos, fiquei honrado com os gentis comentários – e não é a partilha das pequenas experiências um prazer tão grande quanto a própria descoberta? Sim, Todos tivemos alguns tropeços no início da nossa jornada nessa fina arte que é a música, mas, olhando para trás, o saldo final é de grandes lucros já que ainda estamos aqui buscando progresso; outros, no entanto, menos afortunados, ficaram pelo caminho.
      Um abraço, irmão do som.

  3. oswaldo camara disse:

    e bom ver ensinamentos sobre posiçoes e postura corporal para que poçamos corrigir velhos vicios adquiridos

  4. Antonio Luiz Soares Santos disse:

    Caro professor Abdalan,
    Comecei a tocar trompete aos 14 anos numa banda da antiga escola técnica do Piauí, atualmente IFPI, em 1979. Toquei até os 18 anos e parei, voltando agora depois de 28 anos. Sei que é complicado retornar assim, mas entrei hoje na internet e encontrei seu site quando pesquisei escalas pentatônicas. Fiquei motivado com tanta simplicidade e rigor das orientações e resolvi escrever a mensagem para agradecer pelo desprendimento que você teve em disponibilizar material. Minha vontade a aprender um pouco de improvisação, mas não sei por onde começar.
    Abraços,
    Antonio Luiz Santos

    • Antônio, é exatamente por existir pessoas como você com quem posso ter um bom papo compartilhar o pouco que aprendi que continuo motivado a compartilhar sempre. Obrigado pelas gentis palavras.

  5. EMERSON DOS SANTOS URBA disse:

    Gostaria muito de te conhecer, pois você realmente é uma pessoa que gosta de dividir seu sucesso com as outras, obrigado.

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