Freddie Hubbard Adverte

Freddie Hubbard Adverte: Cuidado! Revise a Maneira que Você Toca Trompete

 

“Não cometa o erro o erro que cometi, não cuidando de mim mesmo”. Freddie Hubbard
 

O grande trompetista Freddie Hubbard teve uma dura experiência em sua carreira musical; fato que deve alertar o trompetista, principalmente aquele mais ambicioso, da maneira que pratica.

Freddie Hubbard viveu os dias gloriosos do bebop, vendo ainda o florescimento do fusion e do jazz-rock. Em 1958, aos 20 anos, ele se encontrou com Coltrane em uma jam session e foi convidado para trabalhar com ele. Estima-se que ele tocou em 300 gravações. Fez contrato com a famosa Blue Note. O final de sua careira, entretanto, não foi de igual modo glorioso. Aos 57 anos (em 1995) ele já não podia tocar trechos longos, resultado de um lábio rachado que se infectou quando ele se recusou a cancelar uma série de compromissos em 93.

Em vários esportes, executantes freqüentemente realizam suas práticas lesionados, tentando colocar a mente acima da questão, a fim de completar um compromisso importante. Hubbard e outros tantos trompetistas confiaram completamente na força de vontade, subestimando um lábio incomodativo ou algum outro impedimento. O obstáculo, no caso de Hubbard, se mostrou grande demais. Em 95 ele já estava há dezoito meses fora da estrada, e só com muito esforço que conseguiu completar as gravações do seu álbum MMTC (Monk, Miles, Trane, & Cannon) – O álbum demorou 10 meses para ser finalizado.

A história toda, segundo Hubbard, começou em 92, quando ele foi tocar na Europa com a Big Band de Slide Hampton, ao lado dos trompetistas Roy Hargrove e Jon Faddis. Ele falou numa entrevista a Downbeat “Comecei tocar notas agudas com Faddis e me deixei levar”. Ele continua, “Notas agudas não eram meu forte. Voltei para Filadélfia e toquei com alguns caras, sem nunca me aquecer. Nesse ponto meu lábio arrebentou. Depois fui ainda para Nova Iorque e toquei por mais uma semana. Era aí que deveria ter sossegado”.

Hubbard não parou por aí. Voltou à Europa para tocar com uma big band, e logo depois percebeu que seu lábio tinha infeccionado. Quando voltou para Los Angeles, um médico fez uma biópsia, temendo se tratar de um câncer. Não era câncer, mas vários compromissos foram cancelados pois seus lábios estavam tão magoados que o deixava impedido de tocar com o entusiasmo, a inspiração, a energia e a confiança que o fizeram famoso.

À Downbeat Magazine Hubbard ainda fala que outros trompetistas que tiveram experiências semelhantes. “Isso aconteceu com Louis Armstrong. Miles ficou fora por cinco anos.

 “No final das contas você fala ‘caramba, me deixe dar um tempo e dar um descanso am meu bico’. Eu sempre toquei com muita energia – talvez demais. Então, eu tive que mudar minha embocadura por voltar aos rudimentos e aprender a aquecer e tocar leve. Antigamente eu simplesmente pegava o trompete e soprava violentamente. Eu tive que voltar, adquirir alguns livros e consultar professores de trompete clássico. Eu não podia tocar uma nota por um instante porque (meus lábios) estavam sensíveis demais. É muito frustrante não fazer soar da maneira que eu fazia”.

Ele conta sobre sua prática:

“Houve um período que eu estava gravando 2 vezes por semana e à noite ainda tocava em clubes noturnos”.

Houve ainda um agravante. Havia uma rivalidade entre Hubbard e um jovem trompetista chamado Lee Morgan. Hubbard confessou que o único trompetista novato que o intimidava. Isso o levava a fazer coisas além do seu limite. Comentou:

“Ele tinha muita paixão e um feeling natural. Eu tinha mais técnica, mas ele tinha aquele feeling. As pessoas pareciam gostar dele mais que gostavam de mim no início. Mas andávamos juntos, comprávamos carros esportivos e pegávamos as mesmas meninas. Era um tempo diferente. Hoje tudo é negócio”

Essa experiência ensinou Hubbard a mudar completamente sua visão de como tocar, dando atenção à respiração, fluxo de ar. Ele viveu numa época em que os músicos de jazz tocavam até as 4 da manhã e então iam procurar um lugar para tocar mais. Hoje tem-se que dormir cedo para gravar num estúdio na manhã seguinte.

Seis Conselhos de Freddie Hubbard para Trompetistas:  

1. Não cometa o erro o erro que cometi, não cuidando de mim mesmo.

2. Mantenha o bico legal e não sopre exageradamente.

3. Se vai tocar muito, certifique-se que fará um aquecimento.

4. Faça um plano de saúde – nunca se sabe quando se precisará dele.

5. Lembre-se que quando chegar a uma idade mais avançada, seus lábios lhe darão o troco por qualquer exagero.

6. Encorajo os aprendizes a usar bocais grandes. Isso os fará durar mais.

Abdalan da Gama

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