Dois Instrumentos Importantes

Dois instrumentos importantes: lápis e caderno

“A batalha não é com o instrumento. A batalha é consigo mesmo” Vincent Chicowicz

Uma das ferramentas indispensáveis ao músico é o lápis. Anote até mesmo o que imagina que não vai esquecer: ritmos, ligaduras, marcas de respiração, dinâmica, articulação, etc. Faça sinais de atenção em passagens complicadas ou que errou. Leve o lápis para sala de ensaio e mantenha-o consigo enquanto estuda seu instrumento.

Outro item importante é um caderno para uso como ‘diário de bordo’. É excelente ter um caderno onde anotar os detalhes da prática (diária?), formular idéias, monitorar o progresso e estabelecer estratégias de estudo. Tudo isso cria uma consciência muito maior de onde estamos e onde pretendemos chegar. Claro que essa prática é para aqueles que são estudantes sérios do seu instrumento, que estão buscando proficiência ou transpor as barreiras que porventura se instalaram em sua carreira musical.

Além de anotar suas metas, anote os exercícios que realizou com comentários adicionais sobre como foi praticado. Por exemplo, se você fez o H. L. Clarke Technical Studies No 2, especifique:

1- Velocidade (você deveria usar um metrônomo).
2- Modelo (ligado, staccato simples, staccato k, staccato duplo ou triplo, combinações staccato – legato).
3- Duração (quanto tempo gastou exercitando?).
4- Dificuldades (em qual tom sentiu mais dificuldade. Por que?).

Para esse fim, mantenha o caderno perto de você enquanto estuda e anote enquanto as idéias estão frescas na mente. Depois de uma semana, folheie e analise o progresso. Esse tipo de anotação também evita estagnação e vã repetição de um mesmo material.

Teça comentários sinceros sobre como está tocando. Formule idéias e faça autocríticas. Quando não realizar determinada passagem, não diga apenas, “isso é difícil, não consigo fazer”. É melhor: “esse exercício é difícil de fazer porque tenho ‘tal e tal’ deficiência específica na minha execução do trompete; pretendo corrigi-la de ‘tal e tal’ maneira”. Pergunte sempre “quais meus pontos fracos e fortes? Que direção devo tomar e onde devo focalizar meu estudo?” Não seja muito rígido mas seja honesto. Ao identificar problemas persistentes é hora de procurar ajuda. Aliás, essa é uma das vantagens de se ter anotado problemas detectados na pratica: munir-nos de questões inteligentes para discutir com o professor ou outros músicos mais experientes que nós. Segundo minha observação, muitos bons músicos estão dispostos a compartilhar suas experiências e conhecimentos; a questão é que quando estudantes os encontram, geralmente perguntam questões tolas sobre marcas de bocal, marcas de trompete ou qual a nota mais aguda que ele consegue alcançar.

A formulação de idéias claras sobre os objetivos e dificuldades na prática do trompete estimula a criação das estratégias e táticas para transpor os obstáculos e alcançar o alvo desejado. É fundamental para o progresso em qualquer área do conhecimento a formação consciente desses arquétipos, ou a prática se torna um jogo de tentativa e erro.

Sendo a prática do trompete uma experiência física e também cognitiva, ou seja, estando envolvido em um processo de desenvolver um tipo de inteligência (musical), pergunte-se sempre do que pretende alcançar com a sua prática. Exercite também a imaginação para sua formação em longo prazo:

Se houvesse apenas um número mínimo de limitações, que tipo de músico pretende ser?

O passo seguinte é FOCAR, repetindo para si mesmo os alvos, revisando as anotações com o fim de aplicar com eficácia os recursos que conquistou, visando ao alcance dos objetivos estabelecidos. Tal processo levará o corpo e a mente fazer ajustes para realizar o que objetivou, rejeitando o que pode frustrar os planos. Nosso cérebro é uma máquina potente – a sua programação depende de nós.

Parafraseando Armando Ghitalla:

Um desejo forte é indispensável. Esse ingrediente é o catalisador que faz o sucesso possível.

Abdalan da Gama

2 respostas para Dois Instrumentos Importantes

  1. Rogério Silveira Muoio disse:

    Prezado Abdalan.
    Gostaria de tirar uma grande dúvida. Dentro de um mês farei 1 ano de trompete. Uma vez lhe escrevi e lhe contei q possuo um Bach Stradvarius em Bb. Agora estou comprando um novo trompete e gostaria de sua opinião sobre qual trompete escolher. Após alguma pesquisa na net descobri o seguinte:
    Bach Artisan em C
    Schilke em Eb/D
    Schilke Piccolo Bb/A
    Yamaha YTR 9445 em C
    e ainda os seguintes
    Flugels:
    FLUGELHORN LE BLANC F357 ARTURO SANDOVAL
    FLUGELHORN CONN 1FRSLB SANTIN –
    FLUGELHORN CONN 1FR LAQUEADO –
    YAMAHA YHR6310
    O que me diria a respeito dos intrumentos elencados?
    O trompete em Mib ou o piccolo seriam de grande dificuldade para um iniciante como eu? Seriam inúteis no momento?
    O repertório para Mib parece restrito. Poderia tocar música popular e outras nele?
    Atenciosamente,
    Rogério Silveira Muoio

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